“Segue a vida” diz presidente do Sindifrigo Mato Grosso após caso atípico de vaca louca no Estado

Em artigo intitulado “Atípico, vida que segue”, o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo MT), Paulo Belicanta, criticou neste sábado a publicização de um foco de caso atípico de mal da vaca louca no Estado, divulgada pelo serviço em tempo real do jornal Valor Econômico na última sexta-feira (03/9) e confirmado pelo Ministério da Agricultura no último sábado (04/9). Segundo Belicanta, “esses fatos não deveriam gerar sequer notícias. No entanto pagaremos caro pelo sensacionalismo”.

“De uma suspeita não confirmada fazemos um estardalhaço que provocará prejuízos a toda uma cadeia produtora brasileira”, reclama o presidente do Sindifrigo-MT. A doença, independentemente se caso atípico ou clássico, é de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que foi feito pelo governo brasileiro assim que confirmou-se a suspeita.

Segundo Bellicanta, o setor não tem espaço nos custos para uma baixa na arroba nem folga no caixa para suspender abates de modo indefinido.”Matar sem segurança de que o produto será exportado é risco muito alto. Inundar um mercado interno, já capenga é certeza de um derretimento de preços que trará carne e boi muito pra baixo. Qualquer aposta neste momento é tiro no escuro e não adianta remeter a outrem culpa alguma.”, afirma Belicanta.

Em 2019, última vez que o Brasil apresentou umc aso atípico de mal da vaca louca, as exportações para a China ficaram suspensas por 13 dias. Assim como este ano, o Ministério da Agricultura determinou a suspensão por conta própria, enviando documentação para análise das autoridades sanitárias chinesas. O país responde por 59% das exportações brasileiras de carne in natura e processada do Brasil e, em 2019, foi o único a interromper as compras do Brasil.

Diferentemente do caso clássico, que ocorre quando os animais consomem produtos de origem animal, o caso atípico ocorre naturalmente em bovinos de idade avançada, tal como o Mal de Alzheimer em humanos. Já o caso clássico, ocorre devido a uma proteína chamada príon e que está presente em produtos de origem animal.

O Brasil nunca registrou a ocorrência da doença e proíbe o uso de produtos de origem animal na nutrição de bovinos desde o início dos anos 2000, quando a doença passou a se espalhar na Europa. A prática, contudo, ainda é observada em algumas criações. No último mês, dois casos foram constadados pelos serviços de defesa agropecuária de São Paulo e Minas Gerais.

“Ao final de tudo o mercado soberano ditará sua regra. No amanhã olharemos para trás e teremos acumulado mais um aprendizado para usarmos no futuro. Medidas precipitadas, se nunca são aconselháveis, neste momento são veneno letal. Deveríamos considerar apenas que nos chega de modo  oficial de governo. O que não procede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)  tem sido mais especulativo que real”, conclui o presidente do SIndifrigo-MT.

Da redação com a Globo Rural

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