Quanto a China investiu na agricultura brasileira?

De todos os investimentos que a China fez no Brasil na última década e meia, apenas 3% foram no agronegócio, o equivalente a US$ 1,98 bilhão. A informação é do recém lançado estudo “Investimentos Chineses no Brasil – Histórico, Tendências e Desafios Globais (2007-2020)”, do autor Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).

Segundo o levantamento, os setores de eletricidade, com 48%, e de extração de petróleo (28%) foram os que receberam a maioria absoluta do valor aportado entre 2007 e 2020. Bem mais abaixo figura a extração de minerais metálicos (7%), indústria manufatureira (6%), obras de infraestrutura (5%), agricultura, pecuária e serviços relacionados (3%), atividades de serviços financeiros (2%) e outros (2%).

“Os investimentos ligados à agricultura chamam atenção por seu baixo valor, de 3% do total, o que contrasta com a grande complementaridade entre os dois países nessa área. Dados do Ministério da Economia, cruzados com levantamento do Ministério da Agricultura, mostram que a participação de produtos do agronegócio nas exportações para a China saltou de 35% em 2010 para 50% em 2020”comenta Cariello.

De acordo com ele, essa crescente dependência trouxe investimentos de empresas como COFCO, Tide Group e LongPing High-Tech, que vão desde a comercialização e fornecimento de produtos agrícolas até a fabricação de químicos para a agroindústria.

“A China também aumentou a sua presença nesse setor de forma indireta, por meio da compra de grandes multinacionais presentes no Brasil. O principal exemplo desse movimento foi a aquisição, em 2017, da suíça Syngenta pela estatal central ChemChina. A operação de US$ 43 bilhões foi a maior já realizada pela China no exterior”, aponta o estudo.

O Mato Grosso atraiu 4,6% dos projetos chineses, sendo palco de alguns dos mais relevantes investimentos em agricultura e serviços relacionados. “A aquisição global da Nidera e da Noble pela COFCO, que passou a deter ativos das tradings que já estavam em operação no estado e no Brasil, é um exemplo bem-sucedido da entrada chinesa no setor agrícola brasileiro”, ressalta o levantamento. A Região Sul também é representativa nos investimentos desse segmento, tendo em vista a presença da COFCO em toda a região.

Os chineses também investiram em importantes obras de infraestrutura, que respondem por 5% do valor dos projetos confirmados. Nesse setor, que tem ligação indireta com o agronegócio, destacam-se os aportes das estatais China Communications Construction Company (CCCC), detentora da Concremat Engenharia, e China Merchants Port, que desde 2018 tem em seu portfólio o Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR).

Da redação com o Agrolink

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